6.12.06

Tom Waits - What's He Building

Tom Waits - What's He Building

1.9.05



quando nasci. esperava que a vida.
me trouxesse. a terra. quando nasci.
esperava que a vida. me trouxesse.
as árvores. e os pássaros. e as crianças.
quando nasci. tinha o mundo. todo.
depois dos olhos. depois dos dedos.
e não percebi. não percebi. nada.
nunca imaginei. quando nasci. que a vida.
quando nasci. já era a escuridão. a escuridão.
em que estava. quando nasci.

josé luís peixoto, a criança em ruínas

13.8.05

esqueci-me do protector solar

30.7.05

sob a areia ou alguns dias no deserto

sob a areia espero encontrar uma sombrinha e a humidade que dá consistência ao meu percurso. Espero aflorar junto às ondas onde o chão é fresco e cheira muito a maresia.

28.7.05

subterrâneo

(...) Os subterrâneos , calafetados, só vêem ratos, aguardam os próximos bombardeios.
Michel Serres, Os cinco sentidos

para quê calafetar?
se na noite existe luz e no dia existe escuro, se a verdade se metamorfoseia a cada instante e o saber não é estanque.

26.7.05

engolir a cinza para o corpo ficar mais próximo da terra



entender a luz que se projecta nas coisas para as elevar ao lugar dos momentos fugazes e únicos

21.6.05

delinear o mundo através da poeira dos meus olhos (2)



(ribeira do porto, 2005)

1.6.05

a vida clandestina de uma toupeira I

Sempre que subia à superfície sorria estranhamente e dizia: vou ver quem anda nas alfaces. Era conhecida no meio pela Alfacinha e já contava no seu currículum com três enterramentos numa clínica privada para doenças mentais.
Os pais abandonaram-na não tinha ainda duas semanas, diz-se que morreram à sacholada, mas são só boatos. Que os pais nunca voltaram isso é uma evidência. Ficou entregue aos cuidados da avó que sempre se esmerou por lhe dar uma boa educação. E assim foi vivendo menina mimada e caprichosa. Nos longos passeios pelos túneis e por vezes quando aflorava à superfície, foi cavando toda uma vida clandestina e particular. Ausentava-se por longos períodos para desassossego da Avó. Muitos diziam que a loucura lhe tinha devolvido o olhar e na superfície chegava até a descodificar a voz humana. Quando voltava, contava estórias impossíveis, de passeios no regato na companhia de um pequeno barco de cortiça com uma vela vermelha feita de trapo. Outras vezes vinha extraordinariamente cansada e agitada dizendo que tinha sido perseguida por um animal de grande porte que lhe dava dentadas no rabo. A avó sorria carinhosamente para ela conformada e a acenar ligeiramente a cabeça num gesto de aprovação.

28.5.05

a poeira é o roçar do tempo pelas esquinas

26.5.05

o espaço da experienciação do espectador é o espelho do espaço da criação do outro




Inicialmente vais das três dimensões que ele calcorreou à bidimensionalidade da imagem.
Por contraponto, no outro, percorres a ideia na tridimensionalidade do espaço.
Em qualquer dos casos um labirinto claustrofóbico, destroços a preto e branco.



fora-dentro-fora versus dentro-fora-dentro : inputs e outputs distintos para o mesmo espaço de solidão. Percorrer o mundo é como percorrer a casa.

(imagens manipuladas, paulo nozolino e gregor schneider em serralves)

25.5.05

Elogio do subterrâneo

O subterrâneo é temperado, mais negro, mais húmido. Aqui fermentam os mais audases fungos, as minhocas mais industriosas. Aqui, onde tudo acaba está um espaço para acreditar que a vida subterrânea existe e é intensa, mais intensa do que as folhas que morrem e se agitam com o vento sem vontade própria. Aqui onde tudo morre, tudo renasce. Tudo emerge em direcção à superfície.

20.5.05

debaixo da terra existe uma constelação de subterrâneos com ecos de nomes que há muito deixamos de escutar


christian boltanski, a reserva dos suiços mortos
no centro português de fotografia até dia 22

19.5.05

plano de voo sobre a terra



quantas vezes apostaste a tua vida?
apostei a minha vida mil vezes.
perdeste tudo?
sim, perdi sempre tudo.

josé luís peixoto, a criança em ruínas

16.5.05

delinear o mundo através da poeira dos meus olhos

15.5.05

biografia

E tudo se resumiu à evidência do pó.
Uma lenda, um ofício, uma teia de
apertadas mágoas que nunca mais
deixará passar a luz.
A tua luz, sol, lua ou juvenil chama dos
campos livres,
apagou-se violentamente.
Nos aquários da noite caiu uma estrela.
O mundo caiu sobre os teus ombros.

José Agostinho Baptista,
Agora e na hora da nossa morte

14.5.05




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